segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O final de Robin

      Sob meus olhos a multidão. Urram, uns sorridentes outros bravios e de rostos severos. Olham-me. Encaram-me. Fazem de minha personalidade o centro de todas as atenções e urram. Estão sujos, estão suados. A maior parte é contada por trabalhadores que dão do seu suor, que suam para conseguir as moedas. Para poder depois pagar ao governo, um governo incrivelmente corrupto. Que rouba nosso dinheiro por meio do imposto. Não deviam estar aqui, os trabalhadores. Tinham é que estar diante do Coração de Leão¹, bradando por impostos menores. Gritando por uma justiça e uma deposição à corrupção, e não uma deposição à minha cabeça. Pois vou explicar: são mais uns amantes da violência que da paz. Amam uma guerra bem feita, recheada por mortes e sangue. Que pregam a paz, é bem verdade. Todavia são da violência e assim se posicionam. Animais fedorentos! Querem ver minha cabeça no chão, a tão caçada cabeça e tão merecida. Quem capiturou meu corpo hoje nada em dinheiro, hoje sorri aqui por perto. Aqui por perto, porque o traidor não teve sequer coragem de vir assistir ao espetáculo. Contudo a história não termina desta maneira, sei que não. Sou dos contos, não de fadas, mas dos contos. E sei que a história há de terminar com um final feliz, onde salvo a dama e a levo para o paraíso dos amores. Robin Hood não termina assim², já li meu livro uma vez. Sei que acabarei vivo, e poderei voltar a roubar dos ricos para dar aos pobres. Fazer jûs.

¹ Coração de Leão: referência ao Rei Ricardo Coração de Leão, que regia nos tempos em que se passa a história de Robin Hood.
² Robin Hood não termina assim: a história termina com Robin vivo, o Rei Ricardo Coração de Leão nomeia o personagem protagonista como cavaleiro, tornando-o nobre de volta.

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