domingo, 11 de dezembro de 2011

Um diálogo com a Inspiração

       Ela olhava para mim, quieta, reflexiva. Eu sabia que naqueles pequenos olhos tão azuis quanto o mar, inúmeros e tantos outros pensamentos corriam de um lado para o outro. Todos eles mirando a mim, me vigiando, me calculando. Eram olhos sagazes, compreensivos e, de forma natural, azuis. Criavam uma cena calada, fria. Sem qualquer expressão de sentimento, os dois amordaçados, as palavras mudas que não queriam sair de nossas bocas. Era a Inspiração que me fitava, e ela não queria compartilhar comigo o momento tão exigido. Eu avisei, disse que tinha necessidade de escrever sempre. Novos textos, novas frases, eram coisas que deveriam ser diárias. Mas a Insipiração, ah esta maldita! Não, ela não queria de maneira alguma liberar seus pensamentos. Não cooperava nunca comigo, esta vagabunda. Mulher de tantos, beijada por tantos. Rodada, como condiz o termo brasileiro. Rodada. Naquele momento era uma mulher difícil, se opunha a mim. Queria apenas saber as razões, ela não me respondia. Permanecia calada, inativa. Inspiração maldita que me falha nas horas mais precisas, vais ver tu, não mais alimentarei seus sonhos. Vais morrer de fome. De fome. Inspiração maldita!

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