terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fagulha - Vítor Duarte

À Rafaela, meu amor.

A fagulha do tempo que nasce. A luz dentre toda a escuridão saturna. Aquilo que somos e que um dia há de deixarmos ser. Fluxos, momentos. Segundos que pulsam e pulsam no coração mais tenebroso. E o medo, este alvoroço que me envolve é medo. Tenho medo de perder o que nem conquistei. Tenho medo de ganhar o que já é meu. O destino, não existe, mas traz tantas misericordiosas rosas da vida. Este rabugento destino que desatina e que sobe e que desce. Que nasce e que morre. Todos os dias santos de santos momentos e santas vidas vividas na santidade. Tudo santo. E que santa é a verdade. A verdade, busco apenas a verdade. A mais pura e verdadeira. Na convicção do homem que sou, no amor que me enceta estas palavras. Falo e falo, digo tantas coisas. Palavras que rumam no caminho do vento, seguindo meus pensamentos. São palavras desacordadas, sem sentido e sem razão. Afinal, para que serve a razão quando se está perto da morte? E morrer parece tão bom, tão deleitoso. Tão gostoso. Tão... único. Momento único e verdadeiro. A morte. Sim, essa que mais parece a um abraço aconchegante e que vem e que vai. Morremos e nem sequer percebemos. E eu morri, morri uma, duas, três vezes até. Morri centenas e inúmeras mais vezes até que os próprios mortos já morreram. Morro quantas vezes me for possível, só te peço é que não mates a este amor, porque é ele que me sustém vivo.

Vítor Duarte, escritor.

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