quinta-feira, 17 de maio de 2012

A vida de um livro

      Os dedos suaves roçam de leve a capa, sentem o relevo que a compõe. Viram-na para ir às primeiras páginas, são boas folhas, conservadas e branquíssimas. Aqueles dedos dariam uns bem vividos quinze anos de vida às páginas que passava lentamente, sentindo a maciez de cada uma. As palavras começam, compilam um romance lindo e principesco. No qual a donzela é apanhada por um cavalheiro dono de um reino herdado após a morte do pai, e se casam, e são felizes para sempre.
Livro velho - Fonte: Realityeponto.blogspot.com
      Os dedos suaves sabem bem o que fazer e continuam passando as páginas, o primeiro capítulo se esvai. Os próximos trazem festas familiares, amizades novas. Bons momentos de um livro, vivenciados pela personagem principal. Um lápis adentra a cena, aqueles dedos começam a escrever novas páginas, a compor uma outra história para o livro. A obra envelhece, ganha rasgos, orelhas tortas e sujas. Os dedos esmurram as folhas seguintes, rasgam algumas. Amassam outras.
      Um livro velho e maltratado por aqueles dedos, de páginas todas machucadas e sofridas pelo descuido amalucado de simplórios dedos de uma mão. O tempo passa, o lápis para de percorrer as novas folhas do livro. Os dedos se distanciam da obra, enjoado daquela história tão enfastiosa e repetitiva. A água vem, embebe o papel já velho e amarelado. O sol vem, resseca a capa já rasgada e amassada. O destino vem, mata aquela mulher que descrevi como se fosse um livro.

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