quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Não te iludas leitor

        Leitor, não, não te iludas com o fogo que arde por entre os galhos secos. Não acredites naquela chama, que chamativa te chama para um duelo de olhares. Jamais, jamais deixe que o mundo transforme em cinzas o teu corpo de lenha seca, vá umedecer-te. Vá molhar-te os pés na fonte da vida que jorra água mais que eternal, aquela mesma que nos faz crer existir. Aquela mesma que nenhuma religião ou crença ou homem pode explicar. A única fonte maravilhosa que simplesmente está lá, diante de todos nós n'algum lugar especial. À espera de um sedento, de uma lenha como somos, seca por inteiro. Uma lenha velha ou nova, mas seca, e necessitando de molhar seus galhos e suas folhas. Embeber suas vestes amadeiradas e crescer como toda árvore cresce. Vá, leitor, não fique aqui enjoando seus olhos e cérebro com textos ou regalias, não fique à perda de tempo: corra! Corra para o norte e cruze os sete mares, viaje nos teus sonhos tão amados e esperados. E lute pela água de cada dia, pelo gole que vais beber goela abaixo. Não, não te iludas com o fogo que arde por entre galhos secos no deserto que é este mundo, não te deixes levar e ser queimado como tantos já foram. Vá correndo para molhar teu corpo de lenha, antes que te seja tarde, leitor. Que te seja tarde demais.

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