terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Difamação

             Ah, difamação! Aparta-te de mim. Deixe meu corpo inerme e aqui jazido, não traga aos mortos o pedaço dantesco, o caminho infernal. Não venhas a mim mostrar bom partido, que não sou seu amigo. Sou de tu um Capuleto, que és para mim um Montéquio. Somos contrapostos desde antigamente, somos inimigos arduamente treinados para o duelo. Então, difamação que me faz derramar mais lágrimas que Eco na sua louca paixão por Narciso. Não irei minguar, não irei sumir, mas ainda assim sou lágrimas de ódio. De desprezo e de uma incompaixão nunca dantes absorvida por meu corpo. Vamos, desafio-te a um duelo! Um duelo de espadas, duas armas empunhadas e prontas para batalhar. Vamos, lute e lute aqui comigo! Duele, minha cara, duele. Eis que vou derrubá-la ao chão e logo verás para tu o pano negro e enlutante da morte. Logo serás engolido pelos tormentos de vidas passadas e se verás no teu lugar, ó difamação terrível. Não, não és páreo para comigo, não tens força e nem sabes duelar. Aparta-te de mim, difamação desprezível, vá para que diabos possam te carregar!

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