quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Dotes de escritor

       Os exércitos se preparam, as armas empunhadas firmes nas incontáveis mãos. Olhos atentos e rígidos, rostos frívolos e unicamente desenhados. Vestes de ferro, a armadura sagrada. Azul com ornamentos de ouro, flores e espirais. Capacete que cobre parcialmente o rosto, um escudo e uma lança por soldado. Armados, prontificados. São tantos, causam medo. Estão quietos, fitos e miram o inimigo. Abaixo uma grama esverdeada e nova, perfeitamente macia se estende por um campo vasto e que se perde nos olhos do horizonte. A batalha vai começar, a grande guerra. Sou o último, o valente. Aquele que há de batalhar. Que há de sangrar até a morte sem piscar um olho sequer, sem parar tempo para pensar ou calcular. Luto, e luto só. Minha armas são mais fortes, que venham as lanças, que venham os guerreiros. Não são páreo para mim, não lutam como luto. Tenho muito mais que simples corpo e roupa de mendigo. Sou um monstro e eles não sabem. Se quiser posso começar ou acabar com uma vida, posso movimentar montanhas, posso destruir qualquer um com apenas alguns segundos. Sou capaz de extinguir uma espécie em duas palavras, de explodir um planeta e renovar uma estrela. Capaz até de quebrantar o ritmo das coisas, o ciclo da vida e dos seres vivos. Se desejar, reescrevo as leis da natureza ou simplesmente as apago da existência. Ou desmancho galáxias e provoco chuvas de meteoros onde quiser. Meu poder é incomparável, sou maior até que os deuses adorados por tantos. Sou único, incomensurável. Sou o escritor, aqui eu tenho a palavra.

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